sábado, 5 de julho de 2008

páginas de diario


Pergunto-me porque me sinto tão sozinho, porque é que esta história não acaba e não resolvo este círculo mental em forma de teia. Continuo a fugir dos meus fantasmas, creio. Pergunto-me onde estava eu quando me deixei envolver com sentimentos perigosos como este mais uma vez, como não previ que me faltava a emoção da paixão pela paixão. Não sei mais o que fazer para te esquecer e acabar com esta angústia diária de te perder para uma emoção maior, para um sentimento real, em oposição a este passar de tempo, que até chega a ser agradável. Não sei como olhar mais para ti sem me sentir a menino que ficou preso ao passado e àquelas noites depressivamente solitárias.Pergunto por onde andas, quando me perco em pensamentos negros. Ou nulos. Ou quando tu o fazes. Desespero por uma resposta, uma vez mais, agora neste fim de dia abafado.Pergunto-me porque passaram tantos anos e continuo com todas estas dúvidas poéticas, porque continuo a não ver saída, mesmo sabendo agora que é mais profundo e pessoal do que queria fazer crer. E como podes ajudar-me se nunca me olhaste com os olhos pelos quais sempre chorei. Como o desejei... Como esperei por ti... como mantive a esperança, dia após dia... Como te segurei nos braços, quando via que não podias dar nada mais do que meia presença... Como chorei de tristeza pisada... e inchada. Como partilhei contigo essas lágrimas que mais ninguém viu. Como te abracei como jamais alguém acreditou, como mesmo tu só no auge das tuas fraquezas o permitiste...Onde é que o vento nos levará amanhã? Como ficarei mais um dia na tua ausência? Como farei para suportar recordar o teu toque e a tua respiração? E a forma do teu corpo? E o teu cheiro? Como farei para seguir em frente?Sinto um punhal no peito, como no primeiro olhar. Sinto a tristeza do teu amor por mim.

quinta-feira, 3 de julho de 2008


Vai dizer que você não conhece nenhum? Ou melhor, que não é autobiográfico? =D
*tradução: Retardados. Todo mundo conhece um*

Obrigado


Donde me coloco, observo distâncias que não existem na realidade e meço gestos e olhares que falam comigo como poemas ou canções. Todos trazem em si uma história e uma missão de valor incalculável e indizível, que nem sempre se revela mas que subjaz a toda e qualquer acção. Todo e qualquer pensamento. Toda e qualquer emoção.
Dedico a minha vida a conhecer o que é brilhante e sombrio em cada um e fico sempre contagiado pela epopeia que é a vida comum. A vida comum de cada um de nós.
É de tal forma única, múltipla, intensa e profunda, a vida comum, que eu não cesso de me surpreender. A todo o momento sou ensinado acerca da minha pequenez, acerca do valor da autenticidade e acerca do valor inequívoco que encerra o mais comum de nós. Tu, por exemplo.
Quero com isto dizer que sou um projecto inacabado e imperfeito, irresolúvel e reformulável, influído, participado e construído por ti. Quanto mais testemunho quem és e quanto maior é a tua presença na minha vida, mais real, mais singular e mais completo eu sou. Por isso, porque fazes parte da minha identidade em construção, porque me inspiras a ser eu, volto para ti, hoje, os meus Parabéns.

Alanis


O Hoje é uma possibilidade infinita de te amar. Acordo no cuidado terno de te ver dormir e voo o mais alto que alguma vez consegui quando me
abraças e me chamas e me olhas sem fronteiras, sem caminhos.Minha filha, meu lugar de reconstrução. Parabéns. Devo-te este ano todo e todos os que vão ser.

poeira ao vento


Eu fecho meus olhos,só por um momento e esse momento se vai.Todos meus sonhosPassam diante dos meus olhos, uma curiosidade.Poeira no vento;Tudo que eles são é poeira no vento.A mesma antiga (ou velha) cançãoSó uma gota d’água no oceano infinito.Tudo que fazemos desintegra-se à terra, embora nós recusamos ver.Poeira no vento;Tudo que nós somos é poeira no vento.Não fique parado ,nada dura para sempre, só o céu e a terra.Isso vai emboraNosso dinheiro não vai comprar outro minuto.Poeira no ventoTudo que somos é poeira no vento (tudo que somos é poeira no vento).Poeira no vento (tudo é poeira no vento)Tudo é poeira no vento.

terça-feira, 1 de julho de 2008

apredendo a rezar com os pés


Caminham em filas ao lado das estradas nacionais, por trilhos de terra batida, atravessando pequenos povoados que antes desconheciam, cruzando horas e horas a paisagem de giestas e silêncio. Têm em português um nome que deriva de uma forma latina: Per ager, que significa “através dos campos”; ou Per eger, “para lá das fronteiras”. Definem-se, assim, por uma extraterritorialidade simbólica que os faz, momentaneamente, viver sem cidade e sem morada. Experimentam uma espécie de nomadismo: não se demoram em parte alguma, comem ao sabor da própria jornada, dormem aqui e ali. Num tempo ferozmente cioso da produção e do consumo, eles são um elogio da frugalidade e do dom. Relativizam a prisão de comodismos, necessidades, fatalismos e desculpas. E o seu coração abre-se à revelação de um sentido maior. A verdade é que é difícil ter uma vida interior de qualidade, se nem vida se tem, no atropelo de um quotidiano que devora tudo. Na saturação das imagens que nos são impostas, vamos perdendo a capacidade de ver. No excesso de informação e de palavra, esquecemos a arte de ouvir e comunicar vida. Damos por nós, e há, à nossa volta, um deserto sem resposta que cresce. E quando nos voltamos para Deus, parece que não sabemos rezar. Estes peregrinos que tornam a encher as estradas de Fátima (mas também de Santiago, de Chartres, do Loreto…) assinalam-nos o dever de buscar a estrada luminosa da própria vida. Já não separam a existência por gavetas estanques, mas o seu corpo e a sua alma respiram em uníssono. A oração torna-se natural como uma conversa, e as conversas enchem-se de profundidade, de atenção, de sorrisos. A parte mais importante dos quilómetros que percorrem não está em nenhum mapa: eles caminham para um centro invisível onde pode acontecer o encontro e o renascimento. Queria dedicar este texto a um amigo que, neste mês de Maio, fez a sua primeira peregrinação. A meio do caminho enviou-me uma mensagem a dizer: «Aprendo a rezar com os pés». José Tolentino Mendonça

sacrilégio


Bem ,como ninguém realemente lê o que eu escrevo então :



"- Pourquoi t’appelle-t-on dinosaure ? - Parce que je suis le dernier de ma race. Dernier de ma race comme la dernière bouteille de bière fraîche dans une ville à l’orée de la civilisation. Dernier de ma race comme le dernier sourire d’un braqueur de banque à l’agonie, emportant à jamais avec lui le secret de ses trésors. Dernier de ma race comme la dernière tirade de Molière, le Requiem de Mozart, le dernier cachet du virtuose. Dernier de ma race comme la toute dernière mandarine s’agrippant encore obstinément à un arbre rabougri alors que la saison des sécheresses déjà revêt le paysage de sa funeste robe brune. Comme la dernière brique de sperme avant l’andropause. Comme le dernier roi d’une courte dynastie. La dernière énigme du mystère. Le dernier bateau sur le fleuve. Dernier baiser. Dernier sommeil. Dernier amour. Dernier plaidoyer au pied du dernier échafaud du tout dernier des gamins-apprentis-dictateurs. Requiem aeternam dona nobis, Domine - De quelle race es-tu ? - De la race des chiens - Plutôt bête, ça ! - Je veux dire de la race des chiens du roi, de la race des chiens-fous-du-roi, de la race des chiens poètes, de ceux qui naissent la danse dans les jambes et la foudre dans le regard, la race des poètes-saltimbanques, des sopranos-scalpeurs, de ceux qui sont nus sur la place publique sans en éprouver aucune sorte de gêne qu’on ne sait plus s’il les faut dire innocents ou pervers. Je suis de la race de ceux que l’on condamne à mort pour le restant de leur vie les yeux fermés, le nez pincé et le visage détourné. Je suis le vomitorium de la République. Kyrie eleison Christe eleison"