domingo, 6 de julho de 2008

coisas que acontecem


Bem que tento agasalhar-me sempre que faz frio. O problema é que me sinto tantas vezes sem abrigo, sem sequer um cobertor com que me aconchegar... sem lar de espírito, perdido de ti, dos outros e até de mim mesmo. Isto de querer descobrir-me acabou por me fazer perder ainda mais! Já nem sei de quem é o meu sorriso... tenho saudade de quando sabia. Não sei se tenho pressa em escrever um "belo fim", mas sei que tenho pressa em entender. Sabes, os outros parecem-me tantas vezes pedaços de mim... que sinto como se, sendo neles, conseguisse alcançar o que de mais belo sou. Por isso preciso entender! Para puder sentir, para puder ser vida! Fora disso sinto-me sombra. Não sei como acordar-me por dentro quando nada sinto. E já faz tanto tempo... apetecia-me ser criança de novo. Não vou fazer nada. Vou continuar levando isto no rumo que lhe dei. Estou cansado de pensar. Só me apetecia entregar-me, perder-me por aí. Onde estás tu cada vez que preciso de ti?

As pessoas me decepcionam


Não fomos mesmo feitos para ter alguém sempre ao nosso lado, pois não? É estranho não querer estar sozinho mas não saber estar acompanhado. Acontece-me com toda a gente. Não há ninguém com quem consiga estar junto horas a fio. Ao fim de algum tempo aquilo começa a ser entendiante e... sei lá! Tenho a sensação de que as pessoas apenas estão juntas para falar daquelas coisas que as fazem sentir as maiores perto das outras: fui aqui, fiz isto, foi maravilhoso, blá, blá, blá. Quando não há nada de especial para dizer, sobra o fazer. Vamos fazer algo! Algo divertido, algo que nos faça sentir vivos e algo que possamos depois contar aos outros e sentir-mo-nos, com isso, os maiores! É assim que funciona, não é? Tu és assim, eu sou assim. Mas sabes, houve um tempo em que era diferente. Conseguia estar junto de gente sem me sentir entendiado, sem ter que estar a fazer algo em concreto. Lembro-me de conseguir estar em silêncio sem me sentir na obrigação de ter que falar, lembro-me de conseguir estar com alguém quietinho, sem fazer absolutamente nada, e isso sabia-me bem! Sabia-me a paz.
Sabes qual é o problema? É a falta de intimidade. Por muito que já te tenha visto fazer as piores figuras do mundo e tu sabes que sim, mesmo assim não consegues, não conseguimos, manter intimidade com ninguém. Não me perguntes porquê, não sei. "Familia é sempre familia", são os unicos que não nos decpecionam... nem isso miudo, nem isso. Nem ai há grande intimidade. E sem intimidade não há grande ligação, há apenas momentos bons e momentos maus. É isso que temos, nada mais. No entanto, eu sei que tenho coração e às vezes, muitas até, parece-me que também o tens. Podemos não lhe dar muito uso ou fingir que não, mas temos. O que não temos é a capacidade de o colocar à frente da nossa cabeça, dos nossos medos, das nossas acções. Não sei se seria melhor se o fizessemos, só sei que talvez não voltassemos tantas vezes para casa com a sensação de querer estar com alguém e não o conseguir fazer, mesmo quando se esta bem perto.
Quanto a ti, tenho muitas vezes a sensação de que podias ser diferente, a sensação de que és capaz de mais. Mas tens sempre de provar o contrário, não é? Estamos sempre em guerra e não podemos perder pontos. Sabes o que vai acontecer um dia? À força de tanto não quereres perder pontos, vais decpecionar-me de tal forma que vou deixar de ver em ti algo mais do que mostras. E eu, às custas de tanto não querer dar-te pontos, vou continuar a não deixar que vejas em mim algo mais do que mostro. Engraçado, não?
Hoje foram bem mais do que duas frases.

sábado, 5 de julho de 2008

pensamentos imperfeitos


Não morri. Até porque muito de vez em quando escrevo aqui qualquer coisita.Mudei de vida e vou mudar ainda mais.Tenho andado um bocado alienado do resto do mundo e tenho-me concentrado no meu umbigo. Sei que quem se interessa compreenderá, de certeza. Ou mesmo que não compreendam sei que saberão esperar o que eu preciso. Não me afastei do mundo. Apenas faço algo por mim. Rio tudo o que nunca ri e choro o que há para chorar. Canso-me tudo o que é demasiado e ocupo todos os minutos.Não me levem a mal. Todos as pessoas que se importam e até insistem em mim. É uma questão de prioridades. E quando não há mais ponta por onde esticar, temos de escolher o que é mais importante, sem roubar importância ao que a tem. Preciso disto e fá-lo-ei independentemente de tudo. Mesmo apesar de todos os obstáculos que surgem e todos os maus-olhados que carrego em cima dos ombros.Desculpem-me mas acredito que os motivos pelos quais estou menos contactável agora, tornar-me-ão numa pessoa mais feliz ou realizada, espero. Traço o meu caminho.

páginas de diario


Pergunto-me porque me sinto tão sozinho, porque é que esta história não acaba e não resolvo este círculo mental em forma de teia. Continuo a fugir dos meus fantasmas, creio. Pergunto-me onde estava eu quando me deixei envolver com sentimentos perigosos como este mais uma vez, como não previ que me faltava a emoção da paixão pela paixão. Não sei mais o que fazer para te esquecer e acabar com esta angústia diária de te perder para uma emoção maior, para um sentimento real, em oposição a este passar de tempo, que até chega a ser agradável. Não sei como olhar mais para ti sem me sentir a menino que ficou preso ao passado e àquelas noites depressivamente solitárias.Pergunto por onde andas, quando me perco em pensamentos negros. Ou nulos. Ou quando tu o fazes. Desespero por uma resposta, uma vez mais, agora neste fim de dia abafado.Pergunto-me porque passaram tantos anos e continuo com todas estas dúvidas poéticas, porque continuo a não ver saída, mesmo sabendo agora que é mais profundo e pessoal do que queria fazer crer. E como podes ajudar-me se nunca me olhaste com os olhos pelos quais sempre chorei. Como o desejei... Como esperei por ti... como mantive a esperança, dia após dia... Como te segurei nos braços, quando via que não podias dar nada mais do que meia presença... Como chorei de tristeza pisada... e inchada. Como partilhei contigo essas lágrimas que mais ninguém viu. Como te abracei como jamais alguém acreditou, como mesmo tu só no auge das tuas fraquezas o permitiste...Onde é que o vento nos levará amanhã? Como ficarei mais um dia na tua ausência? Como farei para suportar recordar o teu toque e a tua respiração? E a forma do teu corpo? E o teu cheiro? Como farei para seguir em frente?Sinto um punhal no peito, como no primeiro olhar. Sinto a tristeza do teu amor por mim.

quinta-feira, 3 de julho de 2008


Vai dizer que você não conhece nenhum? Ou melhor, que não é autobiográfico? =D
*tradução: Retardados. Todo mundo conhece um*

Obrigado


Donde me coloco, observo distâncias que não existem na realidade e meço gestos e olhares que falam comigo como poemas ou canções. Todos trazem em si uma história e uma missão de valor incalculável e indizível, que nem sempre se revela mas que subjaz a toda e qualquer acção. Todo e qualquer pensamento. Toda e qualquer emoção.
Dedico a minha vida a conhecer o que é brilhante e sombrio em cada um e fico sempre contagiado pela epopeia que é a vida comum. A vida comum de cada um de nós.
É de tal forma única, múltipla, intensa e profunda, a vida comum, que eu não cesso de me surpreender. A todo o momento sou ensinado acerca da minha pequenez, acerca do valor da autenticidade e acerca do valor inequívoco que encerra o mais comum de nós. Tu, por exemplo.
Quero com isto dizer que sou um projecto inacabado e imperfeito, irresolúvel e reformulável, influído, participado e construído por ti. Quanto mais testemunho quem és e quanto maior é a tua presença na minha vida, mais real, mais singular e mais completo eu sou. Por isso, porque fazes parte da minha identidade em construção, porque me inspiras a ser eu, volto para ti, hoje, os meus Parabéns.

Alanis


O Hoje é uma possibilidade infinita de te amar. Acordo no cuidado terno de te ver dormir e voo o mais alto que alguma vez consegui quando me
abraças e me chamas e me olhas sem fronteiras, sem caminhos.Minha filha, meu lugar de reconstrução. Parabéns. Devo-te este ano todo e todos os que vão ser.