domingo, 13 de julho de 2008

domingo páginas de um diário


Pergunto-me porque me sinto tão sozinho, porque é que esta história não acaba e não resolvo este círculo mental em forma de teia. Continuo a fugir dos meus fantasmas, creio. Pergunto-me onde estava eu quando me deixei envolver com sentimentos perigosos como este mais uma vez, como não previ que me faltava a emoção da paixão pela paixão. Não sei mais o que fazer para te esquecer e acabar com esta angústia diária de te perder para uma emoção maior, para um sentimento real, em oposição a este passar de tempo, que até chega a ser agradável. Não sei como olhar mais para ti sem me sentir a menina que ficou presa ao passado e àquelas noites depressivamente solitárias.Pergunto por onde andas, quando me perco em pensamentos negros. Ou nulos. Ou quando tu o fazes. Desespero por uma resposta, uma vez mais, agora neste fim de dia abafado.Pergunto-me porque passaram tantos anos e continuo com todas estas dúvidas poéticas, porque continuo a não ver saída, mesmo sabendo agora que é mais profundo e pessoal do que queria fazer crer. E como podes ajudar-me se nunca me olhaste com os olhos pelos quais sempre chorei. Como o desejei... Como esperei por ti... como mantive a esperança, dia após dia... Como te segurei nos braços, quando via que não podias dar nada mais do que meia presença... Como chorei de tristeza pisada... e inchada. Como partilhei contigo essas lágrimas que mais ninguém viu. Como te abracei como jamais alguém acreditou, como mesmo tu só no auge das tuas fraquezas o permitiste...Onde é que o vento nos levará amanhã? Como ficarei mais um dia na tua ausência? Como farei para suportar recordar o teu toque e a tua respiração? E a forma do teu corpo? E o teu cheiro? Como farei para seguir em frente?Sinto um punhal no peito, como no primeiro olhar. Sinto a tristeza do teu amor por mim.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Cada Suspiro Seu


A A cada suspiro seuA cada movimento que você fizerA cada ligação que você quebrarA cada passo que você derEu estarei te observandoA cada simples diaA cada palavra que você falarA cada jogo que você brincarA cada noite que você ficarEu estarei te observandoOh, não vêQue você pertence a mim?Meu pobre coração dóiA cada passo seuA cada movimento que você fizerA cada promessa que você não cumprirA cada sorriso que você fingirA cada direito que você fizer valerEu estarei te observandoDesde que você se foi fiquei perdido, sem rastrosSonho de noite e só consigo ver o seu rostoOlho ao redor mas você é insubstituívelSinto-me frio e almejo seu abraçoFico aqui implorando, baby, baby, por favor Oh, você não vê?Você pertence a mim.Meu pobre coração dói A cada passo seuA cada movimento que você fizerA cada promessa que você não cumprirA cada sorriso que você fingir A cada direito que você fizer valerEu estarei te observandoA cada suspiro seu A cada movimento seuEu estarei te observando Eu estarei te observando

romeu e julieta


Este Romeu está sangrandoMas você não pode ver o seu sangueSão apenas alguns sentimentosQue este velho sujeito jogou foraTem chovido desde que você me deixouAgora estou me afogando no dilúvioVocê sabe que sempre fui um lutadorMas sem você, eu desistoAgora não posso cantar uma canção de amor Como deve ser cantadaBem, acho que não sou mais tão bom Mas querida, sou apenas eu Sim, e eu te amarei, querida, sempreE estarei ao seu lado por toda a eternidade sempreEu estarei lá até as estrelas deixarem de brilharAté os céus explodirem e as palavras não rimaremE sei que quando eu morrer, você estará no meu pensamentoE eu te amarei sempreAgora as fotos que você deixou para trásSão apenas lembranças de uma vida diferente Algumas que nos fizeram rirAlgumas que nos fizeram chorarUma que você fez ter que dizer adeusO que eu não daria para passar meus dedos pelos seus cabelosTocar em seus lábios, abraça-la apertadoQuando você dizer suas preces, tente entenderque eu cometi erros, sou apenas um homemQuando ele abraçar você Quando ele puxar você para pertoQuando ele disser as palavrasQue você precisa ouvirEu queria ser ele porque aquelas palavras são minhasPara dizer a você até o fim dos temposSim, e eu te amarei, querida, sempreE estarei ao seu lado por toda a eternidade sempreSe você me dissesse para chorar por você, eu poderiaSe você me dissesse para morrer por você, eu morreriaOlhe para o meu rostoNão há preço que eu não pagariaPara dizer estas palavras a você Bem, não há sorte nestes dados viciadosMas querida, se você me der apenas mais uma chance Nós podemos refazer nossos antigos sonhos e nossas antigas vidasEncontraremos um lugar onde o sol ainda brilhaSim, e eu te amarei, querida, sempreE estarei ao seu lado por toda a eternidade sempreEu estarei lá até as estrelas deixarem de brilharAté os céus explodirem e as palavras não rimarem E sei que quando eu morrer, você estará em meu eu te amarei, querida, sempre

quinta-feira, 10 de julho de 2008

INFP


Introversão. Intuição. Sentimento. Percepção.É o que Jung pensa de mim.Não é só porque perdemos noites alimentando fantasmas. Nem porque vemos mais significados em um gesto do que provavelmente existe. Uma hora a gente aprende a tomar cuidado com o que a gente inventa. Que algumas coisas são simplesmente irrealizáveis. E que às vezes, é preciso não se importar. Não se preocupem conosco, a gente aprende isso. O resto são só estórias para colorir a vida. Ao mesmo tempo que as palavras chegam à minha mente sinto dificuldade em escrevê-las como se não houvessem palavras suficientes para escrever. Talvez por eu ter escrito pouco ou devido às letras INFP.Procurar algo que não sabe o que é nem onde está. Pensar por que a rua chama-se rua e por que ela é daquele jeito, o que há embaixo dela e o que há embaixo do que há embaixo da rua e assim por diante.Queria ver fantasmas ou coisas da espécie, mas tomar cuidado com o que inventa? Será? Considerando inventar como fazer, sim!

eu só queria tomar um café


Quando a gente é escritor, toda nota musical na partitura da vida vira assunto... "eu ainda vou escrever sobre isso..." ou "meu próximo post será sobre aquilo". Muitas vezes os assuntos passam pela gente, como as árvores ao lado da estrada quando se está de carro. Mas peraí... quem passa é o carro, quem passa somos nós. Deve ser por isso que os nossos textos ficam repetitivos depois de um certo tempo.Sonhei com uma história e prometi transformá-la em novela. Esqueci a maior parte. Achei que pudesse escrever um texto sobre a minha mãe depois de pensar por alguns segundos que ela não estará aqui pra sempre. Faltou-me a coragem (pela idéia em si e pelo fato de que nenhum texto explicaria o que ela é pra mim). Rascunhei uma história sobre amizade, que no fim é exatamente igual à minha. E igual a todas as histórias que existem no mundo.Pensei falar sobre o caminho de volta para a minha casa, ou sobre como eu nunca consigo manter o meu quarto organizado por muito tempo. Esbocei uma crítica sobre o filme, sobre aquele filme especial sobre um garoto e uma garota. Descobri que o filme mesmo é meio bobo. IMportante é o que ele me faz sentir. E sentimento não se escreve. Escreve-se sobre ele, mas não ele em si. E sobre é muito pouco.Imaginei mil palavras se ordenando de forma a expressar todas as coisas que passam pela minha cabeça. Os segredos e confissões que estão guardados numa caixinha de sapatos em algum lugar. Mas essa é a plenitude e a beleza dos segredos. Manter-se obscuros é a sua humilde contribuição para o labirinto (ou seria quebra-cabeças) que é nossa vida.Até mesmo sobre a vida eu quis escrever. Tentar através de palavras decifrá-la. Pretensiosamente desvendar passado e futuro. Mas a vida não é senão o que acontece do momento em que acordamos até o momento em que dormimos. E um pouco além.Tentei me forçar a me lembrar de todos os sentimentos, todas as histórias de amor, para que eu pudesse escrever um dicionário. Quem leria? Não se aprende pelos outros. É preciso cada um quebrar a cara umas duzentas vezes na vida até encontrar a pessoa certa. E imagino que não deve ser mais fácil sentir a dor de ser a pessoa certa para alguém que não é a sua.E os farelos no chão comprovam que falta alguma limpeza. Uma varrida no final do dia, talvez. Um dia escrevi sobre um desenho. Sobre um menino e seu amiguinho urso. Sobre como o ursinho descobria que o garoto estava crescendo e que logo não seria mais seu amiguinho. Talvez seu amigo para sempre. Mas não mais seu companheiro. Nesse dia eu percebi que nada é pra sempre, nem uma corrente de pensamentos de fim de tarde como essa.Contar histórias é bom. Adaptá-las é quase sempre uma tarefa árdua que, se bem feita, já rende frutos. Afinal, histórias são pra ser contadas. Você não vive histórias. Quem vive histórias são personagens. Você (e infelizmente todos nós, e especialmente eu) vive é a vida.(ai de quem disser que é bonita.)
Dica de locadora: Adaptation (Adaptação) - A metalinguagem vivida ao extremo... mesmo quando se refere a uma realidade que não é verdade. Roteiro de Charlie Kaufman e seu irmão Donald Kaufman (que não existe), interpretados por um Nicolas Cage inspirado, escrevendo sobre a sua própria história enquanto deveria escrever sobre Meryl Streep, que também tem sua própria história, em que surge Chris Cooper. No final, é tudo a vida...Citação: Some forever, not for better... some have gone and some remain, In my life, by Lennon e McCartneyTrilha Sonora: Love grows (where my rosemary goes), by Freedy Johnston

Memórias esquecidas de tudo que eu ainda lembro


Às vezes eu amo conformado. Vivo num amor assim calado. Tão calado em seus gritos perdidos que ninguém parece capaz de me ouvir. Grita o coração. Grita por que não tinha. Grita por que também não deixava de ter. O que deixei mesmo foi o tempo passar, me contentei com o pouco do "melhor do que nada" e com o muito do "ainda não perdi". Até que um dia tudo mudou, hoje mudou, e perdi o que nunca tive. E existe perda maior?Então, é hora de olhar para trás. E quando eu olho para trás é porque o que eu vejo à frente não é o que sonhei. Tento entender onde foi parar você, a candidata à vaga que há 30 anos eu deixo vazia esperando alguém para preencher. E aí me perguntam por que não preenchê-la com outro alguém? É que quando a gente é feliz sem motivo ao lado de alguém os outros perdem a cor. E o preto-e-branco não me atrai. Podem beijar bem e me fazer perder o fôlego, mas e daí, se é por você que eu quero respirar? Podem até dizer "eu te amo", mas de que me servem as palavras certas quando ditas pela pessoa errada?E é tão estranho quando a gente sofre por amor. Quando se perde um amigo, você sofre, e todos que o conheciam sofrem junto. Agora, quando se perde um amor a dor é só sua, e de mais ninguém. Não há como dividir. Tudo parece que só a multiplica.Tarefa difícil se despedir, ainda mais quando necessária. Mais difícil é imaginar você dividindo a vida com outra pessoa. Meu medo é que me esqueça e me jogue em uma daquelas gavetas onde enfiamos os diplomas que lutamos para conquistar, mas que agora não nos são mais necessários.Me diga: e agora? O que eu faço? Não sei! Eu, tão dedicado às palavras de amor, não sei o que dizer a mim mesmo. E agora? Não sei de quem eu vou roubar o limão da cuba, de quem eu vou guardar as caixinhas de chicletes, para quem eu vou contar as mil frases de filmes que eu decorei, não sei com quem eu vou implicar, em quem eu vou jogar água e correr dos sprays, o livro de quem eu vou sujar de goiaba, quem vai me fazer sentir o mais feliz e idiota dos seres, quem vai me dar o jornal O Globo de 30 de maio ou a revistinha da Magali. As lembranças e a distância me aproximam do que eu não quero viver, e me afastam daquele mundo que só entendíamos nós dois. Parece até que o amor é isso, quando a gente deixa de fazer sentido para os outros.Sem respostas, é melhor esquecer as perguntas. Eu, que amo frases, vou passar um bom tempo a me repetir:
"-Eu fiz o que eu vim fazer.- Você os separou?- Não, eu me despedi!"( O casamento do meu melhor amigo).
Eu, hoje bastante confuso, talvez também consiga.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Estou indo dormir


Pense apenas no que passa por sua cabeça naquele minuto no qual ninguém fala nada; naquele espaço de tempo vazio entre a queda e a risada, entre o fato e o comentário, entre o olhar e o beijo... Pense nos Minutos de Silêncio.
E nas Outras Fantasias.Desculpe-me as palavras bruscas e o já me desculpar no início. Sou pobre, e como qualquer pobre, tenho a mania de achar meus atos sempre necessitados de uma desculpa, quaisquer que sejam eles. A questão é que realmente não sou bom nas palavras, e vou continuar mesmo assim. Estou cansado de tanto pedir desculpas
Sou insano e triste. Não tenho pensamentos bons como os outros, e quando os tenho, são aniquilados pelas vilezas do dia-a-dia. Horror. Tédio. Intelectualidade desperdiçada num copo de café em frente á TV. Quem vai entender, julgar ou contrariar esse ser ridículo e peculiarmente nojento no qual estou me transformando? Entender, ninguém. Julgar e contrariar, todos. Porque o único presente que pessoas infames podem ter é odesprezo. E sou tão, mas tão, mas tão incapaz, que nem ao menos consigo este presente. Paciência. Um dia a esfinge me devora.
Minha tristeza transpõe a barreira do meu corpo... Não posso fingir ou sorrir.
Sinto mistérios antigos passando por entre meus dedos, mistérios estes que jamais conseguirei desvendar.
Vejo lugares, vidas, livros, músicas... Tudo que não terei.

Ás vezes gostaria de não ver nada.