domingo, 10 de fevereiro de 2008

desenhando carneiros


O verdadeiro amor começa quando nada se espera em troca." “Você é responsável por tudo que cativa.”O Pequeno Príncipe - Antoine de Saint-ExupérySe você foi alfabetizado, provavelmente já deve ter lido O Pequeno Príncipe, ou pelo menos sabe do que se trata. O interessante é: Como um garotinho tão pequeno consegue falar frases com uma carga tão grande de responsabilidade?Analise a primeira frase: "O verdadeiro amor começa quando nada se espera em troca." Olhe a responsabilidade de quem não esperava nada em troca, mas de repente começa a amar. E conseqüentemente, começa a esperar algo em troca...Ás vezes a vida nos prega essas peças: Começamos algo inocente sem querer nada em troca, muitas vezes com a pessoa mais improvável do mundo e quando abrimos os olhos estamos envolvidos até o pescoço. Daí começamos a desejar reciprocidade... porque nas relações, só não esperamos nada em troca no começo. A medida que as relações de nossas vidas vão se ampliando, começamos a não fazer mais tantas concessões, a ficar mais exigentes e a buscar a reciprocidade. Mas nesse caso, o pior é que você continuará a ser olhado como alguém que não quer nada em troca e provavelmente ninguém vai lhe dar nada... Então no fim dessa historia, tal qual no livro, você vai ficar desenhando carneiros para esquecer...Ou do outro lado você terá alguém que leu a segunda frase...“Você é responsável por tudo que cativa.”Essa pessoa talvez sinta que é responsável por esse sentimento que despertou em você. Nesse caso essa pessoa poderá se afastar de você e ficar desenhando carneiros, até você esquecê-la.Ou poderá esperar esse sentimento entrar naquele estágio anestesiado, que o torna inofensivo, enquanto pinta seus carneiros com cores vivas, tentando dar um ar de naturalidade na situação.Ela poderá perder noites de sono contando carneiros e pensando como isso foi acontecer.Ou poderá tentar ensinar você a desenhar carneiros também, para que isso se torne uma linda amizade.Ou de repente essa pessoa, comece a achar que "O verdadeiro amor começa quando nada se espera em troca." Talvez ela não se sinta só responsável pelo que cativou, mas ela também se sinta cativada.Daí ela vai ficar olhando para seus carneiros desenhados e tal qual o Pequeno Príncipe vai analisar todos eles:Verá que há carneiros que já estão doentes e desgastados pela vida e que não trazem mais felicidade, sendo hoje um peso de lã suja a ser carregado.Verá carneiros que viraram bodes, e há muito tempo saltaram pela cerca, ganhando o mundo sem se incomodar se você os acompanhou, ou não.Verá carneiros que já estão muito velhos, que não viverão muito, por mais esforço que você faça para mantê-los.E então surpreso, encontrará uma caixa. Até aquele momento, talvez ninguém tenha notado essa caixa. Ninguém lembra do dia em que ela chegou, de mansinho, pequena, discreta. Algumas vezes talvez ela pensou em abri-la, mas sua aparência modesta sempre deixou dúvidas se o seu conteúdo valia a pena. Porém, sem esperar nada em troca a pequena caixa foi fazendo parte do seu cotidiano, de tal maneira que é impossível agora, pensar em deixar esse espaço em branco na sua vida. Então, só falta olhar dentro da caixa. Que tipo de mistérios ela esconde?Abra a tampa devagarzinho e você encontrará dentro...um pequeno carneiro.Dê-lhe um pouco de água e capim fresco, porque ele veio de uma longa jornada e deve estar fraco. Deixe ele adormecer, porque deve estar cansado. Leve-o para onde for e ele será seu companheiro de viagem. Ele não precisará de luxo, para esse carneiro estando ao seu lado, basta uma caixa. Ele não vai querer sair balindo pela vida, porque sua voz o acalmará. Não vai pesar nos seus ombros porque esse carneiro é leve. Sua lã vai te aquecer no inverno e sua vitalidade te fará sorrir, enquanto ele pula na sua frente, fazendo gracinhas para te alegrar. Nesse momento você verá porque "O verdadeiro amor começa quando nada se espera em troca." E lembre-se que “Você é responsável por tudo que cativa.”

tocando em frente


"Eu passei a minha infância procurando em vão joaninhas. Um dia cansei de procurá-las, adormeci na relva e quando acordei havia várias joaninhas em cima de mim."A citação é de um filme lindo chamado Sob o Sol de Toscana. Outra citação interessante é a do Pequeno Príncipe onde ele fala: Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe...As duas frases falam de uma coisa muito estranha: Ás vezes a resolução do problema é a espera. Isso é de arrancar os cabelos daquelas pessoas que, como eu, não esperam nada acontecer. Eu sempre achei que: Quando tiver que resolver algo, resolva. Porque senão a vida resolve por você. E nem sempre do jeito que você gostaria...Dê uns tempos para cá porém, venho me deparando com essa história de joaninhas...É fato que muitas vezes a nossa vida nos foge do controle... E quando nada dá certo, a saída é esperar? Talvez essa espera não seja ficar parado no lugar esperando as joaninhas aparecerem, nem andar de ré e de quatro, para não ter que andar para frente. Mas sim, preparar o seu jardim para as joaninhas que vão chegar... Enquanto você cuida do seu jardim, muitos vão achar que você está parado. Pode parecer que você não está resolvendo nada, mas na verdade está... Está preparando o terreno para a sua mudança!Será que a grama não está muito alta? Ou há poucas flores para atrair as joaninhas? Será que algumas pragas tomaram conta do seu jardim? Ou as plantas estão fracas, precisando de adubo? Pode ser que as raízes secaram por falta dágua...ou o sol forte está acabando com as novas mudas...Com um jardim nesse estado, quem iria deitar na relva?Então mãos a obra! Pegue as ferramentas certas e comece arrancando os pensamentos nocivos. Regue as mudas de esperança e amor. Preserve o que restou de bondade. Adube o seu otimismo. Mude as plantas de lugar: fique apenas com aquelas que fazem bem para a sua vida. Aquelas que tem espinhos ou são venenosas devem ser eliminadas. As que dão muito trabalho para serem cuidadas, e nunca lhe deram uma alegria sequer, devem ser replantadas bem longe dalí. Pode a sua ansiedade. Sinta o perfume dos novos tempos. Encontre uma muda nova, que pode estar escondida em baixo de folhagens velhas, que não te trazem mais nenhuma beleza. Plante a sua nova muda em um lugar de destaque no jardim. Arranque as folhagens velhas. Valorize suas raízes. Faça enxertos: junte duas ou mais plantas que você goste e coloque no mesmo canteiro. Agrupe as flores, colha os frutos e plante sementes. Descubra aquela flor única, que surgiu em seu jardim sem ninguém ter plantado. Faça essa planta dar brotos. Corte a grama e depois de tudo isso, deite sobre ela, sentindo o cheiro de terra nova, de vida nova... Daí sim, depois de tudo isso. As joaninhas vão surgir!

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

sara

Tem dias que a gente se sente Um pouco, talvez, menos gente Um dia daqueles sem graçaDe chuva cair na vidraça Um dia qualquer sem pensar Sentindo o futuro no ar O ar, carregado sutilUm dia de maio ou abrilSem qualquer amigo do lado Sozinho em silêncio calado Com uma pergunta na alma Por que nessa tarde tão calma O tempo parece parado?eu realmente não preciso mais de vocêjá lhe disse isto há tempo atrásvocê nunca chegou a compreendernem mesmo chegou a ser minha amigaeu realmente não preciso de você,eu realmente não preciso de vocêeu realmente não preciso mais de vocêeu posso ficar melhor sozinhoquando eu me sentia caído você me botava pra baixo,tão pra baixovocê tem sido uma pedra bem no meu caminhoe eu nunca tive coragem pra dizereu realmente não preciso de você...você teve sua chance de cair fora agoraantes que eu a fizesse beijar a lonatudo é tão claro e eu posso vervocê nunca foi a garota que eu queria pra mim,caratrabalho de dia,trabalho de noitetento de tudo pra fazer você se sentir legal,legal você nunca mostrou cooperação você deveria mostrar consideração eu realmente não preciso de você...

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

o vôo de icaro


Enquanto o sol nasce, sobre o chãoUm homem velho está em pé nas colinasEnquanto o chão se aqueceAos primeiros raios de luzUma canção de pássaros destrói o silêncioSeus olhos estão em chamasVeja o homem louco em seu olhar fixoVoe, em seu caminho, como uma águiaVoe tão alto quanto o solEm seu caminho, como uma águiaVoe, toque o solAgora a multidão se dispersaE um jovem menino apareceEncara o homem velho nos olhosE ele abre suas asasE grita para a multidãoEm nome de deus meu pai eu voareiSeus olhos parecem tão vidradosEnquanto ele voa nas asas de um sonhoAgora ele sabe que seu pai o traiuAgora suas asas se tornaram cinzasÀs cinzas seu túmulo

de volta a vila


Foque as luzes sobre as pessoas Gire o botão e coma os vermes Aproveite suas chances, destrua a máquina Solte suas bombas e deixe queimar Bandeiras brancas feitas em tiras por tiros A trégua é negra e queimada Nervosismo na cozinha Mesas viradas De volta à vila novamente Na vila Eu estou de volta à vila novamente Jogando dados agora, girando viciados Vejo números seis por todos os lados Em um buraco negro, e eu estou girando Enquando minhas asas são atingidas Sem tréguas dentro Gatos de papel e celeiros queimados Existe uma raposa entre as galinhas E um matador entre os cães Perguntas são uma carga E respostas são uma prisão para si mesmo Nervosismo na cozinha Mesas começam a queimar Mas continuamos andando no vale E outros tentam matar a chama interior Estamos queimando mais forte que antes Eu não tenho um número, sou um nome

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Resolução de ano novo


Nossas atitudes diante de alguns desafios diários podem ser divididas em quatro níveis de aprofundamento, a saber. Nível zero: decisões erradas com informações na mão (burrice). Nível mínimo: decisões erradas sem informação alguma (o que é normal). Nível bom: decisões certas com as informações (inteligente). Nível metafísico: decisões certas sem informações (gênio ou deus). Para o Adilson, existe ainda o nível -1: situações em que você sabe que deveria ter feito algo, mas protelou por toda a vida e ficou na pior (trouxa).
Posso dizer que, no campo pessoal, já consigo tomar decisões que se encaixam no terceiro nível, sem grandes turbulências. O desafio é fazer o mesmo no campo profissional - onde é muito mais cômodo escolher qualquer coisa sem explicar os motivos, caindo fatalmente no estúpido nível zero e se tornando um perfeito imbecil.
Outra forma fácil de decidir errado e se dar muito mal é seguir ao pé da letra um dos mais terríveis conselhos que já tiveram coragem de inventar: "siga seu coração". Uma biruta. Faça isso literalmente e corra o risco de se ver isolado num mundo só seu, gritando aos quatro cantos coisas como "alguém me salve" e vendo a maioria responder de volta: "se vira".
Mas enfim. Papai Noel, anote aí: não quero só decidir coisas, mas principalmente saber qual a melhor forma.